a luta continua: Dilma Presidente

Votei na Marina, agora apoio Dilma

In Uncategorized on 29/10/2010 at 21:46

Por Mauro de Almeida

I

Votei na Marina no primeiro turno, porque ela prometia ser a continuidade das boas políticas do governo Lula, e porque pensava que a campanha dela traria bons assuntos para o debate público. Agora sou a favor de Dilma no segundo turno porque que confio nela para continuar essas boas politicas: a redução da desigualdade, a inclusão das minorias e o incentivo ao multiculturalismo. Durante o governo Lula cresceram as conquistas dos seringueiros, dos quilombolas, dos faxinalenses, dos caiçaras. Também cresceu a disputa ferrenha dos grandes negócios pelas terras públicas que esses grupos ocupam, que são florestas, faxinais, chapadas e praias em todas as regioes do país.

Também acompanho o progresso na luta dos sem-terra durante o governo Lula. Somados, esses movimentos significam uma nova forma de reforma agrária em curso no país. E a Confederação Nacional da Agricultura sabe disso: representando os interesses dos grandes negócios rurais, ela financia a campanha de Serra e deposita esperanças na vitória dele para reverter essas politicas. As politicas multiculturais do governo Lula estão tendo efeitos nos currículos do ensino publico, na diversificação do acesso à universidade, e em muitas outras ações que aumentaram a auto-estima do povo brasileiro em suas várias facetas étnicas e culturais. Também aqui vejo os inimigos irados do multiculturalismo se engajarem na campanha contra Lula e Dilma, pondo suas fichas em Serra.

Durante muitos anos cansei de ouvir falar em “bolsa-esmola”, em “bolsa-preguiça” e outros mantras criados para amesquinhar um programa de redução da pobreza e de investimento no povo que é é exemplo no resto do mundo e devia ser motivo de orgulho para os brasileiros. O argumento economicista das eleiçoes de 2006 era que esse dinheiro devia servir para empresários “criarem empregos” (“produzir para empregar” é o lema da oposição aqui no Acre), em vez de virar poder de compra na mão de mães-de-familia. Como dar crédito à súbita mudança dos adversários da “bolsa-esmola” que passam a apoiá-la às vésperas da eleição de 2010? Em vista de tudo isso, não há outra opção, o voto é no Lula e na Dilma.

II

Vejo essas coisas no dia a dia e nas viagens que recomecei a fazer por cantos pouco conhecidos do Brasil. Um exemplo é o município de Marechal Thaumaturgo, onde estou agora. Fica na fronteira com o Peru, e era até pouco tempo classificado como um dos mais baixos indices de desenvolvimento humano do pais. Não que esse índice diga tudo, porque ele não pega a fartura alimentar: peixe nas piracemas do verão, duas safras anuais em terras fertilíssimas. A dificuldade era a saúde, a educação, a venda dos produtos, e a falta de contato com o mundo. Hoje em dia, os índios Ashaninka, os Kaxinawá e os seringueiros vivem em Terras Indígenas e Reservas Extrativistas, e espalharam-se por toda parte as escolas, o atendimento de saúde, casas boas, e luz elétrica.

Com o dinheiro das bolsas-família, das aposentadorias rurais e dos salários dos professores, agentes médicos e funcionários, cresceu o mercado para os produtos agrícolas: tudo o que se planta vende. Antigos seringueiros hoje mandam os filhos e filhas para a escola, e ao mesmo tempo ganham dinheiro produzindo frutas, hortaliças, tabaco, farinha. Mas também aqui há coisas novas: seu Ezequiel mostra um pé de macaxeira e diz: “Nesse pé vou ganhar cem reais, porque vou fazer com a raiz cem quibes de macaxeira”. Os quibes de macaxeira são vendidos em um quiosque em Marechal Thaumaturgo, junto com picolés e sucos também feitos com produção de Ezequiel. O detalhe interessante é que Ezequiel trabalha em terra pública, não faz queima da floresta para plantar. A luta dos seringueiros a vinte anos atrás lembra a luta dos faxinalenses hoje em dia. Os faxinais são bosques onde crescem bosques nativos em que se misturam erva mate, araucárias e muitas árvores frutíferas, e sao criadouros comunais para porcos, carneiros e cavalos por camponeses que conservam suas lavouras fora dessas belas paisagens que sobreviveram à invasao de pastos e soja.

Levantamentos recentes mostraram que há mais de duzentos faxinais no Paraná, que hoje em dia passaram da resistência silenciosa a uma luta politica para defender os bosques e o sistema tradicional de uso coletivo que é a barreira contra sua destruiçao. O clima era de apreensão com o rumo das eleições, porque ali não havia dúvida nenhuma: as políticas do governo do Lula, ao lado das politicas do governo estadual, foram essenciais para a defesa dos faxinais.

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  1. Aprendo muitas coisas lendo esse texto : ele abre veredas pra muita reflexao, alguns elementos raramente lembrados.
    Bem importante como ele mostra concretamente que os assuntos trazidos pela Marina sao ainda vivos, e podem, devem, se prolongar e completar e concretizar com o voto Dilma, ao contrario do que se poderia recear.Nao é o caso de opor as duas opçoes. Entao podemos ir pra frente amanha. Que isso nao seja enterrar debate vivo, mas ao contrario deixar o oxigênio continuar a entrar.

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